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terça-feira, 23 de agosto de 2011

IGREJAS, ONGS e POLÍTICOS/PROJETOS SANGUESSUGAS-VAMPIRÍSTICOS, que estranhamente depedem de nós Moradores de Rua.




ATENÇÃO: ESTA CRÔNICA FOI FEITA A PEDIDO DO Renan Wangler (LINK), PARA A SUA REVISTA LITERÁRIA A Elipse (LINK)QUE VOCÊ PODE CONFERIR CLICANDO NA IMAGEM DA CAPA. COLOQUEI O TEXTO AQUI NA ÍNTEGRA, MAS CONVIDO VOCÊ A CONHECER A REVISTA DE RENAN. MINHA CRÔNICA SE ENCONTRA NA PÁGINA 46, E TEM GRAVURA E TUDO. TÁ BEM LEGAL. NO MAIS O CONTEÚDO DA REVISTA TAMBÉM É INTERESSANTE. ENFIM... VAMOS AO TEXTO!

Falam mal de nós Moradores de Rua, mas há muitas destas chamadas instituíções do "BEM", ou será... "DO MAL", vivem e até estimulam a perpetuação da nossa situação, pois há múltiplos interesses. Seja ideológico, seja financeiro, seja por puro preconceito, e/ou dogmático. Percebo muitas armadílhas disfaçadas de... "Ajuda ao próximo". O fato de cairmos numa vida de muitas privações e principalmente, com tendência a entrar em vícios destruidores, não é o caso de todos, claro, faz com que essas ditas, pessoas e instituições de "BEM", aproximem-se de nós, com o intuito, única e exclusivamente, de se promover, assim como, confirmar e reafirmar a todo momento para a população, o quão são importantes por nos ajudar. Mas a real mesmo é que em muitos e muitos casos, somos usados como ferramenta de promoção para os diversos e mais obscuros interesses. Posso citar vários exemplos, do qual tenho observado, por mais de 6 anos nas experiências práticas que tenho aprendido ao morar na rua e em situação de excluido social.

VAMOS A ALGUNS EXEMPLOS

Instituições Evangélicas. São as mais fortes no sentido "CARIDADE". Na verdade, usam nossa fome como ísca para tentar impor seus sermões biblísticos-vampirísticos, dizendo que tem que alimentar nossa barriga, mas que também precisa "encher" nosso "espírito" com a palavra de dEUS. Com esse objetivo como meta, muitas igrejas Evangélicas, incluindo as famigeradas ceitas, impões-nos suas palavras pescando-nos pela fome. Ou seja, não existe essa de "fazer o bem sem olhar quem" e muito menos, "dar amor incondicional", pois o amor a nós é cruelmente, em alguns casos, torturante e principalmente ludibriador e condicional, sempre com a desculpa de que precisamos de alimento físico, mas também, "espiritual". Mas acho tremendamente contraditório tais afirmações, pois, só o fato de estarmos com fome naquele momento e ter que esperar, em alguns casos, mais de uma hora de sermões e trechos bíblicos, e só depois de muita ladainha, é que somos servidos, é completamente louco e insano. Como podemos acreditar que estão usando as pALAVRAS de dEUS, para nos aliviar o "espírito", nos mantendo de mau humor? Pois a maioria de nós, está ouvido tudo aquilo, meramente porque queremos aliviar nossa barriga... Louco isso... isso não quer dizer, no entanto, que não há evangélicos que são bons e de corações puros. Mas são tremendamente raros. Pois a a maioria, usa essas instituíções como fachada, para tentar passar para a sociedade uma certa limpeza e uma busca de uma tal salvação, que por conta dessa última, até mesmo coagem fortemente os rebeldes e principalmente, a maioria da população fragilizada pela fome, pelos problemas familiares, financeiros e etc. Usam uma fachada de "bom cristão", com o intuito de intimidar as pessoas a se unirem ao rebanho, ou... Já sabe. Ameaças, medos de desastres pessoais, familiares e etc, são apenas alguns dos absurdos com que as pessoas que não querem seguir a sua linha biblística, são bombardeados. Mas enfim... Não me prolongarei muito nesta reflexão para não fugir muito do tópico em questão. Não são apenas evangélicos. Acentua-se eles nesta explanação por serem os mais intensos e destacados nos exageros das ações. Católicos, espíritas e outros também aproveitam da perpetuação da miséria para passar uma fachada de bom samaritano para a sociedade que é despreparada para perceber as intenções além do óbvio. Também, não estou dizendo que nos alimentar deve ser banido, mas que deveria ser mais puro e menos calculado, esse tipo de ação. Sem intenções escusas. Assim, fazendo jus, sem sombra ao bordão... "Fazer o bem sem olhar a quem" ou "dar amor incondicional" de fato, não dentro da ótica da hipocrisia.

As ditas e famigeradas ONGS - (Organizações Não Governamentais), me dão um mal estar só de ver essas letras, principalmente, por acompanhar através da imprensa há alguns anos, a trajetória não tão isenta, no qual estas instituíções se envolvem. Conheço um caso em Salvador-Bahia-Brasil, em que uma delas, o Liceu de Artes e Ofícios, que tinha como principal meta, ministrar cursos de teatro, música, dança e etc, para alunos de comunidades, e que foi fechado há uns 3 anos, por ter sido acusada de desvio de verbas milionárias. Ou seja, com a fachada de ONG, causou fortes prejuízos aos cofres públicos. Claro que este é o exemplo mais claro, que me surgiu na mente, mas há muitos e muitos casos, destas novas instituíções de fachada e que servem mais para objetivos pessoais e excusos. Sempre com a bandeira da inclusão social e etc.

Por último e não menos importante, vem os Políticos e Projetos, que têm sempre uma "boa intenção" com suas promessas de campanha, para com os eleitores, no sentido de se fazer projetos para resolver as questões de anseio social. Um dos muitos incômodos sociais que motivam a ída da população às urnas com um ínfima esperança que seja, é a de que vossos representantes consigam resolver, a questão dos Moradores de Rua, que é a estética da sujeira, e considerada por ela, como os inúteis vampíros sociais, que é inadmissível e intragável pela socidade em geral. Mas acabam (Moradores de Rua) mesmo é servindo apenas como ferramentas de marketing (propaganda) que servem para promovê-los às suas cadeiras de "Vossas Excelências". Mas o mais contraditório mesmo é que muitos Moradores de Rua, votam, outros, como eu, justificam o voto, por estar forado domicílio eleitoral. Mas marcam presença nas urnas, inclusive, votando até mesmo em seus repressores. As políticas públicas direcionadas a este filão da sociedade, em geral, são inúteis e insuficientes para resolver e principalmente erradicar das ruas o problema, que é a presença dos marginalizados sociais. Querem levar as pessoas de rua, para locais inumanos, insalubres, na sua maioria, com características de presídio semi-aberto, ou seja, são locais em que sobrevive a lei do mais forte. Também, as prefeituras e admistrações - que é o caso de Brasília, minha terra natal - querem colocar o pessoal todo dentro de seus caixotes de acumulação humana, e tentam afastá-los dos Centros das Cidades, principalmente das Capitais. Mas nuncam conseguem segurá-los lá, já que a a maioria tem que trabalhar na reciclagem do comércio, e ninguém, nem mesmos os esquizofrênicos querem ficar isolados nos matos como animais inúteis, e tomando os leitinhos e as farinhas, em horários pré-determinados, e depois tendo que despejar tudo em banheiros emporcalhados, com vasos estourados, entupido, alagados, e cagados. E logo a noitinha, se preparar para dormir em seu colchão fino, estendido no chão do galpão, uns por cima dos outros. Com os "bad boys" e "pit bulls", ameaçando-o pelo simples fato de olhar em alguma direção. Indagando em alguns casos: "Qual foi parceiro? Tá olhando pra minha mulher porquê? As vezes a cara nem mesmo está olhando na direção dela, mas o "pit bull" quer brigar, então ele tem arranjar alguém mais fraco para ele confirmar a sua força. Afirmando assim a sua "autoridade" perante os outros. Também, muitas vezes, do nada e sem motivos, o cara olha para você e... "Aí. Você tem uma cara de viado da porra! Vou cortar esse cabelo seu na faca. Não gosto de você. Sai da minha frente, fila da puta"! E assim, muitas pessoas de rua, não aceitam ficar nos "abrigos" pelos motivos acima. Então, foi isso que me motivou, ao chegar aqui no Rio de Janeiro e tomar o primeiro "bote" do Choque de Ordem, foi que escrevi o livro: "O Choque de Ordem... Equivocado". Que fala dessas questões. Então, por todas as questões colocadas acima, é que torna estas pessoas e instituíções os vampirísticos sulgadores profissionais. Se eles doassem 10% de todo o sangue armazenado dentro de vossas barrigas, os HEMOCENTROS da vida, talvez, nunca mais reclamariam de falta de sangue. E assim, eles sulgam e são sulgados, assim como nós, que sulgamos e somos sulgados. Então a sociedade é de fato, analisando melhor, uma legião de vampiros que não olham para o próprio rabo. ;o

AGORA VAMOS A MAIS DUAS REFLEXÕES

Também tem os casos de muito se muitos talentos perdidos e disperdiçados nas ruas, porque a sociedade insiste em condenar todos aqueles que não se enquadraram dentro de um contexto de escravidão histórica das sociedades sulgadoras de talentos intelectuais e principalmente, despreparadas para aproveitar as neurônicas-inteligentícias.

Já o fato dos perigos de dormir de forma tão exposta nas ruas, calçadas, marquises de edifícios e etc, é meio contraditório. Na verdade, não é tão perigoso dormir nas noites, mas tem algumas regras, que não são absolutas, claro. Mas que se observadas, podem lhe dar o passaporte de uma vida inteira pelas calçadas. A não observância, pode programar o seu fim, rápido e de forma cruel, em alguns casos. Mas por favor, jamais queira vir para as ruas, porque até chegar ao estágio do "sossego", o caminho é espinhoso. Em geral, quando há notícia da morte de um Morador de Rua, vem atrelado algum motivo. Fora o caso mais famoso, que foi o do Índio Galdino, que foi queimado vivo, lá em minha terra, por quatro jovens da elite de Brasília e já estão soltos e vivendo normalmente, a maioria das mortes que acontecem nas ruas tem algum motivo. Podem ter sido motivados ou por brigas, discussões, durante o dia (vingança); pode ter sido porque um deu uma "volta" (pegou dinheiro do outro e não pagou) no outro; usuário pode ter pego uma droga e não pagou o dono (traficante e etc...); pode ter cometido roubos durante o dia, e ao dormir exposto, as vezes até a própria vítima o pega dormindo e não perde a chance; tembém há casos em que uns de rua, passam e vêem o outro dormindo e com algo, objetos, roupas ou até dinheiro "dando mole", "de bobeira", e aí... Zap! Leva. Mas às vezes é descoberto e depois, destemível, fica dormindo de boca aberta, lá, largadão... Ele deve e aínda fica no mole. O credor passa. Escolhe a "arma", que pode ser um ou dois litros de álcool; ou um porrete; punhal; faca; boca de garrafa; ou num dos mais cruéis métodos de eliminação. Pegam uma pedra, de no mínimo 15 kg e... PÔLL na cabeça!!! Já era. Este último modo de eliminação é o que os vampírios mais gostam. Sangue fresco, rápido e abundante. Mas são práticas motivadas pela ação da vítima durante o dia. Na rua, todo mundo sabe onde encontrar todo mundo, e facilmente dribla testemunhas, ou não. Então. Salvo nos casos, dos playboys das elites, que gostam de nos chutar pelas madrugas, simplesmente por não nos entender, a gente consegue viver anos a fio na vampirística noite. E na noite é preciso sangue no olho pra viver. Assim vivemos.

Carlos de Albuquerque
É cantor e escritor brasiliense e mora nas ruas do Rio.
Rio de Janeiro, 17 de Dezembro de 2010