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Pensar ácido, duro, mas sugestivo! Trazendo reflexões importantes para a sociedade em geral

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Portifólio da empresa BELMETAL.COM.BR



Oi tucci79, esse vídeo foi eu mesmo que o produziu, porque achei interessante aquele portifólio e ao mesmo tempo, um disperdício aquele material no lixo. Eu o encontrei dentro de um conteiner de entulho na Rua México no Centro do Rio de Janeiro. eu estava pescando uns rango nas lixeiras do Centro-RJ, pela sobrevivência e não resisti ao vê-lo. Ao folhear, achei interessante. Eu sou um cara multitalentoso. Tenho várias frentes de talentos, mas a sociedade brasileira é instruída, na sua maioria, a lutar contra mentes acima da média. Então, não aceitei certas coisas. Aí vim morar na rua.

Um passeio turístico de causar inveja, principalmente, por ser um mendigo o convidado...

Desde Sexta-Feira (21/10/2011) até hoje, Segunda(24/10/2011), estive fora das ruas do Rio. A Sandra Wagner e o Luis Papa me proporcinaram momentos muito interessantes. Eles vieram de Salvador, e me convidaram a ir junto a uma viagem por algumas cidades, se não me engano, do sul do Rio de Janeiro. Postarei fotos em breve. Mas posso adiantar que passamos por cidade belas, históricas, mas outras nem ...tanto. As boas impressões e imagens, foram registradas em: Paraty; Fazenda Morycana, onde resguarda a história do ouro e da escravidão no país; Mangaratiba; Trindade, que foi especial; e... Petrópolis, que estivemos hoje. Show de imagens dentro e fora da Cidade do Imperador. A decepção foi a fomosíssima Angra dos Reis. A cidade é muitíssima comum pra fama que tem. O único Shopping da cidade, sugestivamente se chama Piratas Mall... srsr Completamente pirata mesmo. Parece mais uma galeria. O piso é feio... A praça de alimentação deixa a desejar... Também no atendimento. A cidade merecia um Shopping à altura de sua fama. Acredito que o que enche as revistas são os arredores de Angra, não a cidade de Angra, que é bem simples. Inclusive, os morros são habitados, lembrando favelas. Não que não possa ter favela lá. Mas quem vem à cidade, pela sua fama, se surpreende com o visual. Enfim. Valeu Papa e Sandra por me proporcionarem mais esse momento fora das ruas e um contato mais próximo da sociedade. Pelo menos temporariamente, larguei a trincheira. Foi ótimo. Veleu mesmo!!!

Meu comentário no meu Facebook...

Carambaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!! Muita gente vai se roer de ódio, pra não dizer outra coisa, por um mendigo ter feito um roteiro turístico tão desejado por muitos. E como convidado. Mas a questão é. Por que este mendigo foi convidado????? Porque... é bonitinho? Porque é simpatiquinho? Porque é honestinho? Porque tem valorezinhos? Ou... Porque é um sujisMUNDINHO que não gosta de tomar banhozinho????? Um Morador de Rua, que ainda tem credibilidade dentro da sociedade, apesar da sua condição sujismunda, é realmente, caso pra ser estudado????? Será que Sandra Wagner e Luis Papa estariam loucos, ao convidar um maluco pra um passeio que exige no mínimo confiança e ética???? Muita gente, neste momento, dentro da sociedade pode até se questionar, porque não costuma receber convite tão generoso... É caso pra se estudar. O fato de eu morar na rua, não tirou de Papa e Sandra, a vontade de me ter como companhia... E me dar oportunidade de conhecer, quase como se fosse um filho, as belesas naturais e históricas que o Rio de Jeneiro tem a oferecer. E melhor. Tive como retribuir, com uma assessoria fotográfica, de umas 500 fotos deles que tirei com meu smartphone. PENSE E REFLITA SOCIEDADE. NADA DISSO FOI AO ACASO!!!!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A Wanessa ex-Camargo tem mesmo que aproveitar mais a notoriedade que Rafinha Bastos lhe deu...




Eu acho que a Wanessa ex-Camargo, está conseguindo agora pela piada do Rafinha Bastos, a notoriedade que seu pai Zezé de Camargo e seu tio Luciano nunca precisaram. Ela tem que aproveitar mesmo a piadex do Rafinha para tentar alcançar, na mídia, a força que seu trabalho nunca alcançou. Pricipalmente nos últimos anos. A Wanessa tá na mídia. Mais forte ainda pela ferina lingua de Rafinha Bastos. Vitória dele. Agora vão processá-lo. Mais mídia. E sinceramente, não vi nada de tão trágico no que ele disse. Até porque foi em tom completamente descontraído. Faltou senso de humor geral. Já vi piadas muito piores e com muita maldade que não deram tanto problema assim. O problema é que o CQC já mexeu com muita gente. Principalmente, políticos, que são, inclusive, os maiores interessados no fim do programa. E isso foi apenas, "a gota d'água" que faltava. É um grande programa e que incomoda muito. Podiam então acabar com o CQC e meter a Wanessa no horário, de alguma maneira, pra ver no que dá.

Felipe Andreolli foi conferir uma coleção e colheu assinaturas para um projeto falso! Veja quem assinou...




CQC entrevista uma série de parlamentares que assinaram sem ver uma falsa PEC incluindo a cachaça como mais um ítem da cesta básica.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A polícia está colocando, nós Moradores de Rua no camburão para "limpar" a cidade para a "beleza"

ANTES: Nada contra a questão de "limpar" a cidade para um evento dessa natureza. É mais que normal. Agora, quantas formas de lidar haveria para se lidar com essas pessoas dito lixos... Basta ter inteligência e tato pra lidar com o assunto.

O comboio policial de hoje pela manhã, que estava circulando o Centro do Rio e colocando os moradores de rua no camburão. Segundo um deles relatou, estão levando pra delegacia para puxar a ficha de cada um. Se tiver problemas com a justiça fica lá na tranca. Pensão alimentícia... idem. Mas não houve enquadramento, até onde tô sabendo, por vadiagem, como me disse o policial. Já que alguns foram pra delegacia, deixoram o nome e foram liberados. Ainda segundo essa mesma pessoa, eles deram o papo (avisou), de que eles - PMs - farão as operações agora, e que há muitos fugitivos dos morros, segundo eles infiltrados entre a gente. Tá aí, a justificativa para tal ação. Tudo bem. Mas tal ação, é claro que está ligado ao "Ensaio sobre a beleza" que vai acontecer na Cinelândia. Aliás. Veja o vídeo. Quem não ver isso ficará louco (a) de frustração.

Postei no Facebook na hora, pelo celular, e no Twitter posteriormente os posts abaixo.

Pessoal, começou agora pela manhã uma operação, que lembra a ditadura militar. Estão colocando no camburão o pessoal de rua, e posso ser preso a qualquer momento!

RT Fui enquadrado na Lapa por 1 comboio da PM, q me pediu documentos. Questionei se era o SEOP @smasrj do Bethlem, q tinha dado a ordem e...

... desconversaram. Isso é efeito do espetáculo brasil-itália q terá Sábado aqui na Cinelândia!

RT Ao ser enquadrado perguntei porque estavam colocando o pessoal no camburão, e eles disseram que... @smasrj @rodrigobethlem

RT ... estavam utilizando da lei d vadiagem. Os tempos d 64 voltaram... Quem diria em presidenta Dilma! @smasrj @RodrigoBethlem

RT Pelo menos se eu sofrer algum problema, sr. Rodrigo Bethlem, já há a chance d se espalhar. Esse tipo d... @smasrj @rodrigobethlem

RT ... atitude mostra que seu trabalho @rodrigobethlem à frente @smasrj, está mesmo fragilizado e caminhando pra derrocada!Ver mais

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www.twitter.com/smasrj  e www.twitter.com/rodrigobethlem


           
Enviado por StudioFesti em 28/09/2011
O Rio de Janeiro vai sediar o evento oficial de abertura do Momento Itália Brasil, firmado entre os governos dos dois países para celebrar e fortalecer seus laços. No dia 15 de outubro, a TIM apresenta, com exclusividade, o espetáculo Ensaio Sobre a Beleza, uma superprodução do artista italiano Valerio Festi, composta por 100 artistas brasileiros e italianos, entre acrobatas, dançarinos e atores. Com produção da Studio Festi e direção da dramaturga italiana Monica Maimone, o espetáculo será encenado na Cinelândia e terá entrada franca, com expectativa de público de mais de 45 mil pessoas.

Ensaio Sobre a Beleza apresentará performances ao vivo (coreografias aéreas e de solo), projeções e efeitos especiais, ocupando toda a Praça Floriano, assim como as fachadas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e da Câmara dos Vereadores. Nos dois prédios históricos, serão projetadas grandes imagens. Palcos móveis e gigantescas máquinas voadoras atravessarão a praça, num espetáculo democrático. "O público assistirá ao espetáculo como se estivesse na primeira fila. Os artistas e cenários se confundem com a platéia. Esse é o conceito de Ensaio Sobre a Beleza", revela Valério Festi.

O Ensaio Sobre a Beleza começa com uma mocinha que, sentada ao lado do avô (interpretado pelo ator italiano Nicola Siri) num banco de praça, pergunta por que ele gosta tanto de ir ao teatro. Ele explica que, assim, se lembra da juventude, de quando chegou da Itália. E diz que a contemplação à música e à beleza é a verdadeira ligação entre Brasil e Itália.

Este é o ponto de partida da narrativa do espetáculo, que interpreta todos os elos entre as duas culturas, no campo das artes, do cinema, da música. E destaca a importância do patrimônio natural brasileiro e da Floresta Amazônica, com projeções do Rio Amazonas filmadas em recente expedição do Ministério do Meio Ambiente da República Italiana em parceria com o Instituto-E. Acrobatas e dançarinos com figurinos de pássaros -- criados pela Osklen com tecidos sustentáveis -- entram em cena para representar a passagem do velho mundo para o futuro, que tem como principal pilar a sustentabilidade. A trilha sonora é composta por clássicos da música italiana e brasileira.

Categoria:
Entretenimento
Palavras-chave:
Ensaio sobre a Beleza valerio festimonica maimonemibmomento italiario de janeirobrazil

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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Estranho. Mas a miss unverso, pela beleza, não merecia o topo do mundo...

Reprodução de imagem: msn entretenimento

Bom. Vamos ser realistas. Sinceramente, se for apenas pela beleza, a miss universo eleita recentemente, Leila Lopes, não merecia ser "a mulher mais linda" do mundo. Ela tem uma beleza comum. Mas como há outros quesitos a serem considerados... Tudo bem. É capaz de eu ser acusado de racista. Ok! A nossa Taís Araújo dá de dez nela. Mas enfim. Venceu. E pronto.

sábado, 3 de setembro de 2011

Um camelô na Cinelândia... Pensa: E agora? O que fazer???

Olá Subprefeito,
Ontem percebi o olhar vago e distante do Seu Geraldão (José Geraldo), que tem uma banquinha de doces na Cinelândia. Diante da chocante imagem, perguntei: "Tá preocupado Seu Geraldão"? Ele responde com triste e sombrio semblante: "Pior que tô, cara"... Aquilo me cortou o coração. Quando foi hoje pela manhã, o cara que vende côco e que tem, autorização provisória para funcionar, e como ele e outros, está na corda bamba, estava comentando com o Jorge da banca: "Pior que o Geraldo tem seis famílias que dependem diretamente dessa barraca"! Isso me deu outra pancada no coração. Assim como Seu Geraldão, que é boa pessoa e até alegre, tem tal preocupação, sei que muitos outros também têm, e estão na mesma situação ou até pior. Reconheço que a Prefeitura tem sofrido pressão da Copa e Olimpíada pra "limpar" a área. E acho que realmente é necessário. O único problema, é que essas pessoas, têm suas mercadorias apreendidas, sem muita chance de recuperação, e muito menos nenhuma alternativa oferecida pela Prefeitura. É muito fácil "limpar" as ruas friamente, sem ligar, se são pessoas ou qualquer outra coisa. Imaginem que um pai de família com mais de 30 anos de luta-guerra pra se manter e manter os seus, vê que tudo desmoronará de uma hora pra outra. Sei que vocês tem que agir sem sentimentalismo, necessário para tais ações. Mas fazer isso é fácil quando não se está na pele do outro. E agora? Quem irá pagar as contas das seis famílias que vivem daquela barraca? Qual a perspectiva? O que fazer, Seu Geraldão, para sustentar emergencialmente, por exemplo, o filho recém nascido, com os cuidados necessários a tão frágil fase? Muitas indagações que provavelmente a Subprefeitura não tem o menor interesse em responder. Mas que causará grande impacto nas vidas dessas pessoas. O Brasil, é incoerente, pois costuma ignorar que está jogando no ralo, empreendedores em potencial. Falta inteligência a nossas autoridades, pra perceber que essas pessoas movimentam a economia e poderiam produzir muito com suporte do governo pra que viessem para legalidade. Abram a mente. Governos passam, mas as cicatrizes das feridas abertas por suas ações, jamais deixam de ser visivelmente marcadas na pele das suas "vítimas". Falta inteligência pra Prefeitura. Esses empreendedores poderiam ser aproveitados pelo órgão de autoridade máxima do município, dentro da legalidade. Na geração de impostos, empregos e a movimentação da economia. Falta inteligência. Quais alternativas oferecerão a esse pai de família, que como outros, agora se pergunta... "O que vou fazer? O que vou fazer"? Pense nisso Subprefeito. Pense nisso. Pense nisso. Pense nisso.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O magnífico mundo dos incompreensíveis/ incompreendidos Moradores de Rua

ATENÇÃO: ESTA CRÔNICA FOI FEITA A PEDIDO DO Renan Wangler, PARA A SUA REVISTA LITERÁRIA A Elipse  - neste caso para a revista número 2, que por sua atual agenda de monografia e tal não poderá dedicar atenção. COLOQUEI O TEXTO AQUI NA ÍNTEGRA, MAS CONVIDO VOCÊ A CONHECER A REVISTA NÚMERO 1 DE RENAN. NO MAIS O CONTEÚDO DA REVISTA TAMBÉM É INTERESSANTE. ENFIM... VAMOS AO TEXTO!

            ATENÇÃO: Falarei sobre os medos sim, mas antes, uma pequena reflexão!

Num mundo cada vez mais desumano, e ao mesmo tempo fascinante, buscar o reconhecimento em cada mente; na importância entranhada nos detalhes dos seres humanos mais improváveis, é escancaradamente tida como inútil e inviável do ponto de vista estético, em muitas cidades do planeta, mas é de extrema importância, uma abertura nesse sentido.

Falar da questão de produção literária nesse filão é meio que complicado. Mas ao mesmo tempo se torna simples, pois vivo há quase sete anos no meio de pessoas, que, nas palavras de uma jornalista de Salvador, "são os miseráveis e famélicos que resolvi me juntar." Talvez sim, miseráveis, e talvez sim, famélicos. Mas extremamente fascinantes quando se chega perto.

Quando se tem oportunidade de conversar, sorrir, brincar, descobrir. Se você tiver coragem e abertura suficiente pra entendê-los de perto, provavelmente, mudará em muito suas opiniões em relação a estas pessoas. É. São sim, PESSOAS. Pra chegar a uma análise das dificuldades dos Moradores de Rua, com a questão, "produzir no Mundo Literário" como me pediu o Renan, é preciso entender um pouco dos paradoxos que essa questão traz à tona. É preciso se dedicar a detalhar e esmiuçar um pouco mais do que representa, na realidade, a situação de pessoas com histórias e razões tão distintas pra se encontrarem, hoje, em situação de rua. Temos que observar que muitos produzem seus trabalhos, mas por não estarem conectados à nova realidade da comunicação no mundo, acabam se restringindo à produção que jamais alcançará o público consumidor de cultura de qualidade. Pessoas ávidas por novidades no cenário literário acabam presas às malhas do funil das grandes editoras e dos nomes mais importantes no mundo das letras. As dificuldades de se ter seu trabalho publicado, lançado e distribuído, são monumentais, principalmente, aos que resistem irredutivelmente, a entrar no mundo dos avanços tecnológicos de informações que representa a internet hoje em dia. As editoras impõem muitos limites e restrições à análise de obras, a qualquer pessoa, independente, de ser ou não Morador de Rua. Mas por ser excluído social, claro, isso é mais complicado ainda, principalmente, por essas pessoas na sua maioria, talvez, não ter documentos. Muitos tiveram, mas perderam, ou foram roubados, ou tiveram a documentação queimada, em alguns casos, e outras ainda têm muitas dificuldades pra tirar novamente a documentação, pois perderam a Certidão de Nascimento, e outras vezes, têm dificuldades em recuperá-la através dos órgãos públicos. Por muitos não serem das cidades que se encontram no momento, vão aos cartórios, fazem pedidos de segunda via às cidades de origem, mas não conseguem resposta. Ou ás vezes demora meses pra chegarem. Assim não conseguem tirar identidade. Então se torna complicado.

Há também o fato, de que, muitos, vivem tão traumatizados, por serem sempre tratados com desprezo, como intratáveis, imprestáveis e etc, que perdem as esperanças de conseguir um caminho de volta à sociedade, que é a sua vontade mais profunda, em alguns casos. Mas a sociedade se fecha, e por pura ignorância, ou por não terem acesso a estas pessoas, perdem grandes chances de conhecer alguém fora do seu círculo comum de parentesco e amizades, tornando-se assim, prisioneiro da sua inacessibilidade ao desconhecido.

Através da minha cruzada, estou conseguindo por intermédio do meu trabalho, desmistificar todo pensamento em relação a pessoas consideradas lixo. Dessa forma, a melhor colaboração que estou conseguindo dar à sociedade, às autoridades e aos próprios Moradores de Rua, é o lançamento de meu primeiro livro, que tem como título "O Choque de Ordem... para recolher Moradores de Rua do Rio, em sua veia completamente equivocada...", no qual abordo de forma ampla numa curta explanação de 108 páginas, toda a forma de equívocos nas abordagens municipais do Rio às pessoas de rua. Mostrando que a velha maneira de tratamento dispensada a este filão da sociedade, não provoca mudanças nem duradoras e muito menos eficazes, pois desumanizam pessoas, que estão ali por razões diversas. Pior, não resolvem o problema. E todas as vezes que há alguma reação violenta pra "limpar" as cidades, extermínio e etc, as repercussões na mídia, tanto municipal, estadual, nacional ou até mesmo internacional, são tão negativas que não compensam as ações, que trazem mais problemas às instituições do que supostos benefícios, pois não resolve, e o pessoal de rua, por pura vingança, volta a encher as ruas, e pior, mantém tudo mais sujo ainda, incomodam mais pedestres e etc... Dessa maneira, não há como resolver.

Existem nas ruas, muitos profissionais que eram para estarem sendo aproveitados, e outros ainda, até querem ser úteis, mas infelizmente não têm voz dentro de uma sociedade burra, que deixa de lucrar por não saber aproveitar grandes mentes. Estes por sua vez, não têm força para sair da grande trincheira, que são as ruas. E muito menos visitar os meios culturais e sociais que a sociedade comum frequenta. Sendo assim, não podem acompanhar o volume de informações e os avanços tecnológicos que o filão INTERNET, por exemplo, pode oferecer. Muitos não têm coragem de entrar numa Lan House (casas comerciais de acesso à internet paga) por exemplo, nem nas Bibliotecas, principalmente por estarem sujos e por, muitas vezes, não saberem, que apenas fazer um asseio corporal básico, (já vacilei muito nesse quesito) guardar uma roupinha melhor, e se comportar com fineza e educação, pra que possa, ser de certa forma “aceitos”, em determinados locais é o suficiente pra se ter acesso a muita informação e assim desenvolverem seu potencial, pra que possam, com isso, começarem a produzir algo de útil que a sociedade possa comprar e consumir. E depois, será muito interessante que a sociedade saiba que está consumindo produção de um excluído (a) social. Isso é que a sociedade precisa aprender a observar, e o Morador de Rua, compreender que enquanto ele não se tornar útil à sociedade de alguma maneira, e mostrar a ela que pode produzir algo que ela possa comprar e consumir, ele sempre será tratado com indiferença e desprezo.

Nós Moradores de Rua precisamos saber que só seremos aceitos e respeitados, assim que nos conscientizarmos que só produzindo, e principalmente nos comportando em ambientes comumente frequentados pela sociedade, é que vamos nos surpreender, surpreendê-los e no final, sermos felizes, reconhecidos como produtores de cultura e conteúdo, e sermos enquadrados em projetos que nos estimulem a produção pra nós e pro crescimento do nosso país. Só assim, amigos, só assim, seremos mais que meramente LIXOS. Até mais.

Agora você se pergunta: O que tudo isso tem a ver, com o tema “Medo”?

Na verdade, nada tem a ver. Mas então o que se pode pensar, quando o assunto é o medo, sem rodeios, e direto no ponto? Viver nas ruas, de fato, não é nem um conto de fadas, e pode trazer grandes, e em alguns casos, irreversíveis conseqüências. Entre elas está exatamente, o medo. Este sentimento que assola grande parte da humanidade, e nos assombra também. Assombramos e muito a população, que pela falta de contato, os preconceitos, e principalmente pelas decisões políticas que, em geral, não priorizam os seres humanos, suscetíveis a mudar bruscamente o curso do caminho, ficam reféns dos seus terrores. Entre tantos, a aversão contínua e muitas vezes equivocada, pela falta de aproximação do convívio com pessoas de rua. Porque costuma ser equivocada e até exagerada, esse correr do desconhecido, que muitas vezes, foi até seu vizinho, ou alguém que no futuro, você descubra que tem histórico e proximidade com alguém que você conhece? Ou até com você mesmo (a)? Sim!!! É possível. A probabilidade é pequena, mas pode sim, ocorrer.

Provocamos e nos provocam medos!

Em geral, provocamos medo, pela nossa aparência, atitude criminosa de outros, e principalmente, pela pessoa, da sociedade, não saber o que esperar daquele maltrapilho que se aproxima. Por isso, que muitos criminosos estão mudando suas táticas e preferem o terninho engomado; o cabelo bem cortado; o perfume de grifes famosas... Dentre outros assessórios “insuspeitos”. Paro, perto de uma faixa de pedestre, onde as pessoas aguardam que o sinal feche o trânsito para que possa seguir meu destino. E... Alguém, em geral, mulher, se afasta imediata e bruscamente. Por medo, pavor, terror, ou.... Meramente preconceito mesmo. Normal. Não me conhece, não sabe que eu sou e muito menos minha intenção. Bom. Pelo medo de ser roubada (o), muitas vezes dá sinais claros que carrega algo de valor, pois ao me ver, a primeira atitude, no caso de pedestre, é puxar a bolsa. Colocar debaixo do braço, tentar colocá-la num lugar “seguro”.

Por que não é tão seguro assim? Porque quando o ladrão vem pra atitude de roubar, assaltar e etc... Não adianta esconder, colocar bolsa embaixo do braço... Porque se ele vier pra levar, não tem pra onde correr. Vai levar de qualquer maneira. Nem que precise atirar, esfaquear, mutilar, agredir, esfolar, te derrubar e te dar um monte de socos, ele vai levar o que lhe interessa. Mas as pessoas têm a equivocada impressão de que, se colocarem nesse tipo de defensiva, conseguirão salvar-se de um possível ataque. Ilusão pura! E ainda incita o ódio em que não está nas ruas com intenções marginais. O caso de muitos (as).

No caso de motoristas de automóveis, e mais uma vez, na maioria dos casos, mulheres, há as velhas e indignantes, pra nós Moradores de Rua, fechadas de janela em nossa cara. Na verdade, muitas fecham não por medo de nós e de nossas atitudes, mas sim para nos comunicar que estão em seu mundo fechado e não quer invasão de pessoas que são consideradas imprestáveis. O medo as assombra, mas não é só isso. Sei que não é apenas este lado sombrio dos sentimentos humanos que a aflige.

Falando um pouco agora de nossos medos

Também como seres humanos que somos, temos nossos medos e em alguns casos, terrores. Mas o que nos aflige mesmo é um receio que não está listado no óbvio. Que é exatamente, a falta de perspectiva e principalmente as incertezas em relação ao futuro. O que costuma doer e nos atormentar é o fato de não saber se conseguiremos sair da situação de rua um dia. Ou se esta será nossa condenação perpétua. Esse é com certeza o maior de nossos medos. Todos os outros são administráveis.

Somos “o desconhecido” que provoca temor, mas temos medos também. O maior problema de quem dorme na rua, é o receio de ser agredido nos momentos de descanso. Necessário a qualquer ser vivo. Precisamos descansar das batalhas de sobrevivência do dia-a-dia. Então quando vai caindo a noite, precisamos encontrar algum local, para o descanso. Nosso colchão costuma ser adaptado com qualquer forro que não permita o contato direto do chão, banco de praça, e etc. com nosso corpo. A maioria de nós recorre ao recurso mais disponível fácil de encontrar, que é o famoso papelão. Que sempre é encontrado em qualquer cidade em que o comércio é ativo. Depois de resolvido a questão logística, é hora de encontrar algum canto pra forrar e finalmente, cair no sono. Muitos, não conseguem dormir direito, por medo de sofrer algum tipo de agressão. Outros, por aprontarem durante o dia, temem serem assassinados a paulada, facada, ou como uma tocha humana. Recursos na maioria das vezes, usados como acerto de contas. Por isso, uns optam por beber, outros por se drogarem pra anestesiar-se pro sono nas madrugadas. Há o receio dos “playboys” que costumam nos chutar ou até agredir. Seja sozinhos ou até em grupo. Principalmente finais de semana, quando vêm das festas, baladas, e costumam encher a mente de drogas lícitas e em muitos casos, isso não é segredo pra ninguém, das ilícitas. O lance deles é “curtir” a noite e extravasar seus preconceitos, suas vontades de exterminar o desconhecido e que o incomoda, por estar fora da sua realidade social. Tem também a agressão do poder público que muitas vezes querem, pressionados por empresários, pela imprensa e pela própria população, nos “varrer” literalmente das ruas. Para isso costumam nos recolher, e jogar para “abrigos” municipais que parecem mais uma prisão semi-aberta. Onde impera a sujeira, a nojeira insalubre, e a ameaça permanente de foco de doenças contagiosas como a Tuberculose e a Conjuntivite, por exemplo. E a lei do mais forte. Então, pra você que dorme aí na sua casa, dentro de um lar, não é tão fácil imaginar como é dormir nas ruas. Por isso, que penso, que foi esse o motivo que me fez cair nas ruas. Para ser um portador da comunicação entre dois mundos tão próximos mais tão distante como a sociedade formalizada versus os moradores de rua. Dois mundos diferentes, mas que na verdade é a prova de que um é cria do outro. Nos moradores de Rua, somos cria da sociedade política e burocrática social brasileira. E estou aqui pra ser o elo entre essas duas realidades tão distintas. Não pra fazer um aceitar obrigatoriamente o outro, mas apenas para esclarecer que podemos compreender o universo de cada um sem precisar aceitá-lo. Não há essa necessidade! Entender já é o suficiente para que os mundos, como um imã, tentem uma aproximação, lenta, gradativa e sem mágoas.

Carlos de Albuquerque
Rio de Janeiro, 25 de Abril de 2011